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2ª Jornada da Pessoa com Deficiência do Litoral Norte debateu esporte e terapias complementares

30 de agosto de 2018

2ª Jornada da Pessoa com Deficiência do Litoral Norte debateu esporte e terapias complementares

Uso medicinal da Cannabis foi tema da tarde de encerramento do evento

Cerca de 250 pessoas participaram das mesas de debate da 2ª Jornada da Pessoa com Deficiência do Litoral Norte, realizada no Teatro Municipal de Ubatuba nos dias 28 e 29 de agosto.

A noite de abertura teve apresentação das alunas do curso de dança do ventre da Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba (Fundart) e da Experimental de Dança. As coreografias apresentadas contaram com a participação de alunas com deficiência.

Leovigilda Cesar, coordenadora da Unidade Integrada de Reabilitação (Unir), vinculada à secretaria de Saúde, fez um breve histórico da jornada, realizada pela primeira vez em dezembro de 2017, ano em que a Unir celebrou 20 anos de existência. “A jornada é um momento de reflexão e esperamos o fortalecimento da rede com o envolvimento das pessoas com deficiência", destacou Leovigilda.

“Proporcionar atenção básica é a nossa missão. Isso resulta na melhoria da qualidade de vida das pessoas”, enfatizou o secretário de Saúde de Ubatuba, Roberto Tamura. “Hoje, em especial para as pessoas com deficiência, oferecemos tratamentos complementares e o esporte como ferramenta de inclusão", acrescentou.

Os painelistas da manhã da quarta-feira, 29, relataram as experiências do uso de esportes no tratamento, reabilitação e inclusão social da pessoa com deficiência, destacando-se os projetos de Escola de Surfe (Prefeitura de Ubatuba), Acalento – Equoterapia (Associação de Apoio ao Desenvolvimento Humano em Caraguatatuba), Canoa para Todos (desenvolvido pelo Instituto São SebáVa’a em São Sebastião) e o Projeto Onda Azul de surfe para autistas, desenvolvido por Sandra Lamb também em São Sebastião.

Uso medicinal da Cannabis

Na mesa da tarde, o neurocientista Renato Filev, conselheiro Regional da Rede Latinoamericana de Pesquisa sobre Drogadição (Larneda, na sigla em inglês) trouxe um panorama do uso medicinal da Cannabis – nome científico da planta da maconha – e dos diferentes estudos que já demonstraram a eficácia de seu uso associado ao tratamento de doenças como a epilepsia, o câncer, a esclerose, entre outras. “O óleo obtido diretamente da planta tem se mostrado ainda mais eficaz que o medicamento importado, por conta do efeito ‘comitiva’, no qual outras substâncias presentes na planta atuam junto com as demais”, destacou.

Já o advogado Ricardo Nemer, da Associação Brasileira para Cannabis, relatou as dificuldades jurídicas e políticas para obter autorização legal para o uso medicinal da maconha e os avanços obtidos por familiares, pesquisadores e outros profissionais que se organizam em associações da sociedade civil.

O público se emocionou ao ouvir os relatos de João Corbusier, de Ubatuba, e Cida Carvalho, de São Paulo, sobre os benefícios evidentes do uso da Cannabis no tratamento de seus filhos. “A melhora clínica, cognitiva e de interação de minha filha após o uso do óleo da Cannabis foi enorme; ela começou a querer andar e conversar”, destacou João, relatando o caso de sua filha que tinha nascido com um tumor cerebral que resultava em inúmeros vômitos ao dia. “Os resultados impressionaram a própria equipe que a acompanhava, formada por gastroenterologista, neurologista e oncologista, que inicialmente via com desconfiança a Cannabis e depois resolveu estudar mais a fundo o uso da substância”.

Cidinha Carvalho relatou os avanços obtidos com o uso da maconha em sua filha Clárian, que tem Síndrome de Dravet e hoje está com 15 anos. Cidinha contou que as convulsões epiléticas da filha começaram aos cinco meses e meio, eram severas e duravam de 40 minutos a 1h30, com riscos de paradas respiratórias e cardiorrespiratórias. “Minha filha não ficava três dias sem crise. Logo da primeira vez que utilizamos a maconha, ela ficou 11 dias direto sem convulsionar. Ela também não transpirava, não conseguia andar sozinha sem se apoiar e nem subir escadas. Aos 11 anos, após quatro meses de introdução da Cannabis, ela transpirou e também pulou e dançou e hoje é esta adolescente que consegue se comunicar como vocês estão vendo”.

Com o apoio da Cultive Associação de Cannabis Medicinal, Cidinha conseguiu autorização da justiça para cultivar e extrair o óleo da planta. “Foi libertador saber que não ia depender da indústria farmacêutica ou de atravessadores e que estava garantindo para minha filha uma substância segura, orgânica, plantada com o amor do pai e da mãe”, afirmou.

“Saúde não é apenas ausência de doença, mas bem-estar pessoal, físico, emocional, mental, enfim, qualidade de vida”, finalizou Nemer.

 

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