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Seminário discute abuso infantojuvenil em ambiente digital

20 de maio de 2026

Seminário discute abuso infantojuvenil em ambiente digital

Evento ainda destacou importância da educação das crianças para prevenir esse tipo de prática

Representantes de diferentes segmentos se reuniram na manhã desta quarta-feira, 20, na Câmara Municipal para participar do Seminário de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, parte campanha nacional Faça Bonito – Proteja Nossas Crianças e Adolescentes, que integra a programação do Maio Laranja. 

O encontro contou com a participação de representantes da Secretaria de Assistência Social, Educação, APAE, APEAU, Guarda Mirim e Instituto Gaiato. Durante a abertura, a secretária de Assistência Social, Silvia Issa, destacou que o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes é um dever coletivo. “Sabemos que nenhuma política pública atua sozinha. É na integração entre os serviços, na atuação conjunta das instituições e na participação ativa da comunidade que fortalecemos uma rede de proteção eficaz. Falando sobre o tema é que  quebramos tabus, combatemos a invisibilidade e ampliamos o conhecimento. Quanto mais informados estivermos, mais preparados estaremos para prevenir, identificar e enfrentar essa violência”, declarou.

A programação seguiu com a palestra da advogada Ruth Guerreiro, que abordou os desafios da proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual e os impactos da hiperconectividade. Durante a apresentação, foram discutidos dados sobre o uso da internet por crianças e adolescentes e os riscos relacionados à exposição em redes sociais, jogos online e plataformas digitais.

A palestrante explicou que o ambiente digital amplia os riscos de violência e exploração sexual por conta da escala, do anonimato e da velocidade das interações. “Enquanto no mundo físico, o agressor encontra barreiras para acessar vítimas, no ambiente virtual é possível atingir diversas crianças ao mesmo tempo, inclusive, utilizando perfis falsos para se passar por pessoas da mesma faixa etária”, frisou Ruth.

A advogada também destacou o processo conhecido como “grooming”, caracterizado pelo aliciamento virtual de crianças e adolescentes. O método envolve aproximação, criação de vínculo de confiança, isolamento da vítima em conversas privadas e, posteriormente, ameaças e extorsão com o uso de imagens íntimas.

Neste cenário, ela citou ferramentas de proteção para situações como essas, como a Lei nº 15.211/2025, que instituiu o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. A legislação estabelece medidas de prevenção e responsabilização das plataformas digitais, incluindo mecanismos de verificação de idade e a obrigação de monitoramento e exclusão de conteúdos inadequados. A palestrante também apresentou o conceito de “privacy by design”, que prevê ambientes digitais estruturados para garantir proteção à infância desde a concepção das plataformas. “O Conselho Tutelar ocupa papel central na rede de proteção, atuando como elo entre denúncias de crimes virtuais e a intervenção prática junto às famílias e aos órgãos de assistência”, afirmou a palestrante.

Na sequência, a assistente social, mestre em Psicologia da Educação e assessora em políticas públicas, Monica Trindade, conduziu a segunda palestra do seminário. Ela destacou que o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes não podem ser compreendidos apenas como desvios individuais, mas também como reflexo de estruturas sociais, como o racismo estrutural e o adultocentrismo.

“A ideia de que crianças não possuem voz ou autonomia contribui para a manutenção do silêncio e facilita a ação dos agressores, que utilizam relações de confiança e o tabu em torno da sexualidade para impedir denúncias”, alertou.

A palestrante também reforçou o princípio da responsabilidade compartilhada previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), destacando que a proteção integral depende da atuação conjunta da família, da sociedade e do poder público. “Precisamos entender que o silêncio sobre a sexualidade é o melhor amigo do agressor. Dar nome aos processos e educar as crianças sobre seus corpos é a ferramenta de prevenção mais poderosa que temos”, acrescentou.

Monica finalizou, ressaltando a importância da Escuta Especializada no atendimento às vítimas. “A Escuta Especializada não serve para interrogar a criança, mas para acolhê-la de forma que ela não precise sofrer a violência uma segunda vez ao relatar o ocorrido”, disse.