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Prefeitura solicita perícia judicial para retomar obras no “Teatro”

15 de dezembro de 2014

Prefeitura solicita perícia judicial para retomar obras no “Teatro”

Com conclusão do trabalho será possível providenciar obras necessárias e abrir espaço à população

A Prefeitura de Ubatuba depositou em juízo o valor dos honorários estabelecidos para a realização de perícia judicial no imóvel que abriga o Centro do Professorado (teatro). A decisão indica o perito Fábio Costa Ferandes para constatar oficialmente “patologias e anomalias na Construção Civil do Centro, composto de Teatro, salas de aula, encerrando uma área de 2.428 m2”.

Com a conclusão do trabalho, será possível providenciar as obras necessárias para a adequação do local ao projeto original, para devida liberação e uso do espaço pela população.

“Com o laudo do perito, a prefeitura poderá fazer as correções necessárias que atendem ao projeto original assim como fazer as adequações que atendem as normas de segurança e possibilitam a retirada do AVCB podendo colocar em funcionamento e enfim liberar este aparelho público para a população e sem riscos”, ressalta o Assessor de Relações Federativas, Robertson Martins, lamentando o histórico do espaço.

“Infelizmente, a gestão passada gastou mais de R$ 10 milhões neste local, não concluiu a obra e ainda deixou o prédio necessitando de diferentes adequações. Nestes dois anos tivemos muito trabalho para colocar mais esta bagunça em ordem. No entanto, cada dia valeu a pena ao vermos que estamos próximos de uma solução definitiva e correta perante à justiça e à população”, completa Robertson Martins.

Entenda o caso Teatro - Centro do Professorado

São diferentes fatores em questão e uma série de irregularidades constatadas ao longo de todo o processo. Logo no início, ainda em 2006, o valor pago pela desapropriação do antigo imóvel, segundo documento do processo, foi distribuído para três pessoas diferentes, sendo R$ 550 mil para o proprietário do imóvel, R$ 250 mil para um escritório de advocacia e outros R$ 50 mil para outro escritório de advocacia. Tal fato, segundo a auditoria, sinalizaria a possibilidade de corretagem durante o processo público.

Ainda em 2006, como justificativa pela desapropriação, foi ressaltado o valor arquitetônico e a fácil adaptação do antigo prédio ao novo projeto. No entanto, o antigo prédio foi totalmente demolido.

Após a demolição, os indícios de irregularidades continuam e a construção do "Centro do Professorado" começa sem a aprovação de projeto pela prefeitura, sem a anuência do Condephaat, sem planta regularizada do terreno e com dinheiro carimbado do Fundeb-Educação.

Diante disso, o Condephaat embarga os trabalhos, o Tribunal de Contas do Estado aponta irregularidades no uso da verba e determina a paralisação imediata dos repasses provenientes da Educação para a obra, que já tinha recebido mais de R$ 4 milhões do Fundeb.

A gestão passada da prefeitura passa a gastar verbas de outros setores da cidade, principalmente da secretaria de Obras, alcançando o valor de cerca de R$ 6 milhões de dinheiro municipal no prédio, totalizando até 2012, um gasto total aproximado de R$ 10 milhões.

O impasse torna-se tamanho que o caso vai parar na Justiça em forma de um TAC entre Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Condephaat e Prefeitura de Ubatuba.

A partir de então, a abertura do espaço passa a ficar judicialmente condicionada à diversas questões acordadas pelas partes. Neste TAC, publicado em 2012, outras desapropriações, mudanças arquitetônicas na obra e no entorno e até o aterramento da fiação da Praça da Matriz são citadas como condicionantes para a liberação.

Mesmo diante de tantos apontamentos e sem qualquer regularização do prédio e de seu uso, a gestão passada permite o seu funcionamento: sem AVCB e sem Alvará de Funcionamento. Mais que isso, até 2012, o funcionamento do prédio público ocorreu com iniciativas coordenadas por particulares, com cobrança de entrada, sem a presença de licitação ou concorrência pública para o uso.